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Wednesday, June 22, 2005

Correcção da Prova escrita - Módulo 14 - Daniel

exto

Leia atentamente o texto que se segue e responda às questões.

Abre os braços no gesto dramático de quem faz uma revelação importante e inesperada.

Começam a ouvir-se tambores ao longe, muito em surdina.

D. Miguel anda, no palco, dum lado para o outro, com passos decididos.

Morais Sarmento

Senhores Governadores onde quer que se conspire, só um nome vem à baila.

Corvo

O nome do general Gomes Freire d’Andrade!

(Acende-se a luz que ilumina Beresford e o Pincipal Sousa)

D. Miguel

Senhores Governadores: aí tendes o chefe da revolta. Notai que lhe não falta nada: é lúcido, é inteligente, é idolatrado pelo povo, é um soldado brilhante, é grão-mestre da Maçonaria e é, senhores, um estrangeirado…

Beresford

Trata-se dum inimigo natural desta Regência.

Principal Sousa

Foi Deus que nos indicou o seu nome.

D. Miguel

(Sorrindo)

Deus e eu, senhores! Deus e eu…

Corvo

Mas, senhores, nada prova que o general seja o chefe da conjura. Tudo o que se diz pode não passar de um boato…

D. Miguel

Cale-se! Onde está a sua dedicação a el-rei, capitão?

Principal Sousa

Agora me lembro de que há anos, em Campo d’Ourique, Gomes Freire prejudicou muito o meu irmão Rodrigo!

D. Miguel

Se eu fosse a falar do ódio que lhe tenho…

Beresford

O marquês de Campo Maior também tem razões para odiar a Gomes Freire…

D. Miguel

E, agora, meus senhores, ao trabalho! Para que o país não se levante em defesa dos conjurados há que prepará-lo previamente. Há gente. Senhores, que sente grande ardor patriótico sempre que os seus interesses estão em perigo. Há que provocar esse ardor. Há que pôr os frades, por esse país fora, a bramar dos púlpitos contra os inimigos de Deus. Há que procurar em cada regimento um oficial que se preste a dizer aos soldados que a Pátria se encontra ameaçada pelos inimigos de dentro. Há que fazer tocar os tambores pelas ruas para se criar um ambiente de recreio.

Os estados emotivos, Srs. Governadores, dependem da música que se tem no ouvido. Para que se mantenham, é necessário que as bandas não parem de tocar.

Quero os sinos das aldeias a tocar a rebate, os tambores, em fanfarra, nas paradas dos quartéis, os frades aos gritos nos púlpitos, uma bandeira na mão de cada aldeão!

(Começa a entrar povo pela direita e pela esquerda do palco. Os tambores tocam sem cessar.)

Quero o país inteiro a cantar em coro. Lembrai-vos, senhores, de que uma pausa pode causar a ruína de todos os nossos projectos!

(Entra pela direita do palco um púlpito a que o principal Sousa sobe. Começa a ouvir-se um sino tocar a rebate).

In Luís de Sttau Monteiro, Felizmente há Luar!

  1. Indique a obra e o autor de que faz parte este excerto. (10pts)

R: Este excerto é tirado da obra Felizmente há Luar e o autor é Luís de Sttau Monteiro.

  1. Apesar de ausente, o general Gomes Freire de Andrade está presente no espírito das personagens.

2.1 Caracterize-o a partir das falas das outras personagens. (15pts)

R: Gomes Freire de Andrade, é inteligente, é idolatrado pelo povo, é um soldado brilhante que luta pela igualdade social.

2.2 Caracterize-o, agora, tendo em atenção a opinião que dele formou a partir deste excerto. (15pts)

R: O General Gomes Freire de Andrade é alguém inteligente e adorado pelo povo, que se manifestou contra as diferenças sociais muito acentuadas, criando inimigos nas classes sociais mais altas.

  1. Releia as falas de D. Miguel.

3.1 Identifique o objectivo das suas palavras. (15pts)

R: O objectivo das palavras de D. Miguel é considerar as pessoas que estão contra o rei, estão contra Deus, através da igreja e de outros divulgar que a pátria se sente ameaçada, de modo a que ninguém consiga interferir na forma de governar.

.

3.2 Aponte os argumentos de que ele se serve para convencer os seus interlocutores. (15pts)

R: Há gente. Senhores, que sente grande ardor patriótico sempre que os seus interesses estão em perigo. Há que provocar esse ardor. Há que pôr os frades, por esse país fora, a bramar dos púlpitos contra os inimigos de Deus. Há que procurar em cada regimento um oficial que se preste a dizer aos soldados que a Pátria se encontra ameaçada pelos inimigos de dentro.

4. Identifique as razões (apontadas pelos diferentes intervenientes) que conduziram à prisão de Gomes Freire. (15pts)

R: Os diferentes intervenientes defendem que Gomes Freire é grão-mestre da Maçonaria, um inimigo natural da Regência não é leal a el-rei, é acusado de incitar as pessoas a estar contra el-rei.

5. Explique as funções desempenhadas pelas didascálias neste excerto. (15pts)

R: As didascálias desempenham as funções de transmitir o estado de espírito em que se encontram as personagens e de despertar a atenção de certas cenas que se desenvolvem.

6. Resuma por palavras suas as últimas falas de D. Miguel. (15 pts)

R: D. Miguel com as últimas falas pretende ver o povo todo junto, que toda a aldeia viva o momento em união de modo a que nada nem ninguém possa destruir os projectos.

6.1.“Lembrai-vos, senhores”. Indique o tempo verbal. Quem é o receptor da mensagem? (15 pts)

R: O verbo está no imperativo. O receptor da mensagem é o povo.

II

Fale da intenção crítica e da intemporalidade da obra “ Felizmente Há Luar”

R: Luís de Sttau Monteiro, autor de “Felizmente Há Luar”, pretende através desta obra, chamar a atenção para as injustiças, das perseguições políticas, e para as repressões nos anos 60 em Portugal, na altura que Salazar governava, comparando-as com as que se viviam em 1817.

(30 pontos)

III

Dos temas abaixo apresentados escolha um e desenvolva-o através de uma composição cuidada.

(40 pontos)

Tema A

“O teatro é espectáculo”

A partir deste título construa um texto bem estruturado.

Tema B

Se o teatro vem perdendo o lugar que ocupava na vida dos homens ou se o público já não enche as salas de teatro, é necessário reinventá-lo.”

Numa composição bem estruturada comente esta frase.

Tema C

Transforme a história da Branca de Neve e dos sete Anões num texto dramático.

Tema B

Se o teatro vem perdendo o lugar que ocupava na vida dos homens ou se o público já não enche as salas de teatro, é necessário reinventá-lo.”

Teatro era o espaço destinado à representação, assim como hoje ainda se chama. Durante muitos e muitos anos o teatro ocupou um lugar primordial na vida dos homens, pois além de haver poucos entretimentos, era através do teatro que se focavam os problemas sociais, eram focados os temas polémicos que se estivessem a viver de momento. Com o desenvolvimento da sociedade começam a aparecer outras ocupações que vão substituindo o teatro na vida dos homens.

Actualmente o público não vai tanto ao teatro, pois tem mais distracções, assim como a vida é mais ocupada, mas além disto também o preço não é muito convidativo para as carteiras actuais.

Realmente seria importante e benéfico conseguir reinventar o teatro de modo a que este despertasse o interesse de mais pessoas, pois é uma forma de convívio saudável, mas também de modo a que todas as pessoas tivessem acesso.

Correcção da Prova escrita - Módulo 12 - Daniel

1. Lê com atenção o poema e responde com correcção às perguntas formuladas:

Ó sino da minha aldeia
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.


E é tão lento o teu soar
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo sempre errante,
És para mim como um sonho
Soas-me na alma distante.


A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

Fernando Pessoa, Cancioneiro

1.1. Atenta na primeira estrofe e descreve as impressões transmitidas pelas badaladas do sino. (15pts)

R: As badaladas do sino transmitem um sentimento de aflição e melancolia.

1.2. Explica o sentido do verso: “Soa dentro da minha alma”. (15pts)

R: A badalada é tão sentida emocionalmente que consegue ressoar no íntimo do poeta.

1.3. Tão como triste da vida”. Comenta o valor expressivo deste verso. (10pts)

R: Este verso tem um valor muito expressivo pois o poeta compara a lentidão do soar do sino ao estado de espírito da vida, podendo considerar mesmo nostálgico.

1.4. Que sentimentos sugere ao sujeito poético? (10pts)

R: Ao sujeito poético sugere sentimentos de tristeza e de melancolia.

2. Explica em que medida o passado e a saudade se interseccionam no poema. (15pts)

R: Cada badalada que ouve relembra mais o passado, e sente a saudade cada vez mais próxima ao sentir as recordações

3. A angústia existencial e a nostalgia são marcas de Fernando Pessoa. Mostra como estas características estão presentes neste poema.(15pts)

R: Através deste poema Fernando Pessoa mostra-se ansioso no que sente em relação às badaladas do sino e ao que estas transmitem, assim como a saudade dos tempos passados se acentua cada vez que o sino toca.

4. Retira do poema, dois recursos estilísticos e comenta a sua expressividade. (15pts)

R: - És para mim como um sonho – comparação

- Ó sino da minha aldeia
Dolente na tarde calma, - Personificação

5.1. Faz a análise formal do poema (versos, estrofes, rima, esquema rimático) (15pts)

R: Quanto aos versos – Octossílabos

Quanto às estrofes - Quadra.

Quanto à Rima – Consoante

Quanto ao esquema rimático – Interpolada

6. Comenta cada um dos versos dos três heterónimos que a seguir te apresento.

“ Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui” Ricardo Reis

“Esta velha angústia,

que trago há séculos em mim,

transbordou da vasilha” Álvaro de Campos


“O muno não se fez para pensarmos nele

(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo… Alberto Caeiro

(30 pontos)

R: Ricardo Reis através destes versos transmite que para se ser alguém temos que ser nós próprios nenhuma das nossas características é a mais ou se omite.

Álvaro de Campos atinge o limite das forças quando a angústia que o acompanhou ao longo da sua vida extravasou o seu interior.

Alberto Caeiro A vida não é para estar sempre a pensar nela, pois ao pensar não se está a observar o que nos rodeia, mas sim para observarmos e estarmos felizes com o que nos rodeia.

II

“… Hoje já não tenho personalidade: quanto em mim haja de humano eu o dividi entre os autores vários de cuja obra eu tenho sido o executor. Sou hoje o ponto de reunião de uma pequena humanidade só minha”.

Partindo deste excerto sintetiza o conteúdo da carta que Pessoa escreve ao seu amigo Adolfo Casais Monteiro sobre a génese dos heterónimos.

(20 pontos)

R: Cada um dos heterónimos de Fernando Pessoa tem a sua maneira de ser, de ver, de pensar e de escrever, logo Fernando Pessoa escrevendo nas três pessoas é o ponto em comum dos três heterónimos, conforme se vão transformando ou evoluindo num ou noutro sentido é sempre Fernando Pessoa que lhe dá o destino, embora se sinta sem individualidade ao dividir pelos vários autores as diferentes formas de escrever e de se exprimir.

III

Fernando Pessoa, escritor modernista do século XX, provavelmente o maior poeta português a seguir a Luís de Camões, transmite em Mensagem o seu maior elogio ao espírito de conquista dos descobridores portugueses dos séculos XV e XVI.

Há mesmo estudiosos que consideram que Fernando Pessoa foi, até hoje, quem melhor soube ler Os Lusíadas. Se Luís de Camões é o pai da língua portuguesa, se foi ele quem passou para o papel, de forma eloquente, o sentimento português, Fernando Pessoa é o continuador desse caminho, incutindo-lhe o carácter único da sua perspectiva de ver as coisas.

Esse espírito grandioso cantado por Camões e por Pessoa está retratado em quase todos os poemas de Mensagem. Os séculos subsequentes aos Os Lusíadas foram extremamente penalizadores para o nosso país. Portugal foi, gradualmente, perdendo o seu Império e, por tabela, as riquezas. No século XIX, a situação agravou-se. Sofremos as invasões napoleónicas, ficámos subjugados ao poderio inglês, o nosso atraso em relação aos colossos da Europa imperialista era cada vez maior. No plano interno, a hipocrisia de uma sociedade movida pela ganância foi superiormente retratada em Os Maias, de Eça de Queirós. O governo monárquico caiu em descrédito e com o ultimatum inglês (1891) o orgulho nacional estava a sangrar de humilhação. Ora, é neste contexto sócio-histórico que Fernando Pessoa escreve a Mensagem. Embora a sua grandeza como obra a torne intemporal, a circunstância cronológica em que foi escrita vai aumentar a importância do seu conteúdo. Com efeito, o elogio tecido por Pessoa da ambição dos portugueses em partir à conquista de novos mundos constituirá como que uma regeneração do orgulho português, que estava a passar por uma crise de identidade. Pessoa eleva a insatisfação de alma como a maior virtude dos conquistadores portugueses e assume que tem como pretensão mitificar esse espírito português. A personificação desse mito é D. Sebastião. O poeta considera-o um «louco», mas não na acepção negativa que lhe damos, antes com uma conotação, superior, de alguém que é louco «porque quis grandeza / Qual a sorte não dá». Porque, para Pessoa, a loucura é exactamente aquilo que dá ao homem a razão para existir.

Resume este excerto (1/3 do texto inicial).

40 pontos

R:

O maior poeta português a seguir a Camões é, talvez Fernando Pessoa. Um escritor modernista do séc. XX. Ele escreve aquilo que pensa sobre o espírito de conquista dos descobrimentos portugueses dos séc. XV e XVI.

Dizem que Fernando Pessoa foi quem melhor leu Os Lusíadas.

Camões e Pessoa cantam o seu espírito grandioso em quase todos os poemas de Mensagem.

Os séculos a seguir a “Os Lusíadas” foram muito maus para o nosso país. Portugal, aos poucos, foi diminuindo o seu império, e com isso as riquezas. Com invasões napoleónicas, no séc. XIX, a situação no país piorou, e em relação às “potências” europeias, o país tinha um atraso cada vez maior.

Foi com o governo monárquico a cair em descrédito e com o ultimato inglês, que o orgulho nacional ficou afectado. E é neste encadeamento que Fernando Pessoa se baseia para escrever a mensagem. Pessoa ajudou imenso na reestruturação do orgulho português, ao elogiar a ambição dos portugueses na conquista de novos mundos.

D. Sebastião é considerado, por Pessoa, um “Louco”, não pela negativa mas sim “porque quis grandeza / Qual a sorte não dá”, como descreve Pessoa, porque para ele o homem existe devido à loucura.

O Julgamento de Gomes Freire D' Andrade - Daniel




INTRODUÇÃO

O presente trabalho insere-se na disciplina de português, sendo alusivo à obra de Luís Sttau Monteiro, intitulado “Felismente há Luar”, esta obra proporciona uma análise crítica da sociedade, mostrando a realidade, do modo a levar os espectadores a reagir criticamente e a tomar uma posição.

Felizmente Há Luar! é um drama narrativo, de carácter social, dentro dos princípios do teatro épico. Na linha do teatro de Brecht, exprime a revolta contra o poder e a convicção de que é necessário mostrar o mundo e o homem em constante devir. Defende as capacidades do homem que tem o direito e o dever de transformar o mundo em que vive. Por isso, oferece-nos uma análise crítica da sociedade, procurando mostrar a realidade em vez de a representar, para levar o espectador a reagir criticamente e a tomar posição.

O trabalho que se segue faz alusão à miséria que se vivia no tempo da ditadura.

Muitas foram as pessoas acusadas por traição à pátria quando manifestavam interesse em acabar com as injustiças sociais

O JULGAMENTO DE GOMES FREIRE DE ANDRADE

Há muitos anos, na época em que o povo era escravizado e explorado, vivendo na miséria, um General forte, destemido e adorado pelo povo com o nome de Gomes Freire de Andrade tentou reunir o povo e conspirar contra El Rei, tentando derrubá-lo.

Mas, no meio do povo existiam os “bufos” que eram pessoas leais ao rei que não se importavam com a miséria em que o povo vivia, só tinham a preocupação de mostrar lealdade ao rei de modo a ascender socialmente e a ser beneficiados, um tal de Vicente queria a todo o custo agradar ao Rei e mal soube da conspiração resolve informá-lo do que se passa.

EL Rei ao saber que era Gomes Freire de Andrade a liderar a conspiração, ficou indignado com vontade de vingança, pois sabia que este era amado pelo povo, sentimento que EL Rei não conseguia despertar, resolve mandar prender o General e levá-lo a julgamento.

Chegado o dia do julgamento do General por conspiração contra EL Rei, este é informado de que ele e as testemunhas teriam 30 minutos para argumentar em sua defesa e apresentar provas que o ilibassem das acusações.

O juiz deu início ao julgamento, onde estavam presentes duas testemunhas de defesa do General, que eram a sua mulher Matilde e um amigo de longa data,

António Sousa Falcão, mas também todos os membros do governo, como testemunhas de acusação e ansiosos por conseguir calar Gomes Freire de Andrade.

O julgamento tem início com o Juiz dizendo:

Senhor Gomes Freire de Andrade, jura por amor a este povo que o espera à porta do tribunal, dizer verdade e nada mais que a verdade?!

Gomes Freire de Andrade: - (Com voz forte) Juro por amor a este povo que é a razão da minha vida, que digo a verdade e nada mais que a verdade.

Juiz:- (Apresentando um ar de indiferença) O que alega em sua defesa sobre as acusações de conspiração contra o rei, seus representantes e contra a pátria.

Gomes Freire de Andrade: - Sr. Juiz tenho a dizer que estou a ser acusado inocentemente, não sei quem me acusa, nem porquê, sei que deve ser alguém que tem muito medo da verdade.

Juiz: - O que tem a dizer sobre as provas apresentadas?

Gomes Freire de Andrade: - Provas? Não sei que género de provas podem existir, o certo é que só podem ser falsas.

Juiz: - Sabe que todos estes membros do Governo presentes argumentam que o senhor conspira contra o Rei e contra a Pátria.

Gomes Freire de Andrade: - Sr. Juiz, não posso provar a minha inocência, mas sei que estou, e sabe bem Sr. Juiz que jurei não mentir neste tribunal.

O juiz chama as testemunhas de defesa dizendo:

D. Matilde: - (A chorar e de forma descontrolada e desanimada responde) o meu marido não merece morrer, olhem à volta, o povo ama-o, ele quer o bem de todos, ele só gosta de ajudar os pobres que não têm que comer.

Senhor António Falcão o que tem a dizer em defesa do réu?

António Sousa Falcão: - (Ao discursar apresenta ar de esperança, mas ao mesmo tempo desanimado) O General esteve do lado da nação, nunca lutou contra a Pátria, só não concorda com quem governa a pensar apenas na sua classe social, alguém que esquece que existem pessoas necessitadas, alguém que contribui para que o país fique cada vez mais desequilibrado, ou seja, os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Para terminar, como velho amigo do General, acho que não deveria ser julgado pois nunca fez mal a ninguém e apenas lutou por uma vida melhor para o povo que tanto ama.

Após reunir com os membros do governo e alguns minutos de reflexão o juiz lê a sentença com ar de desprezo:

Juiz: - Senhores embora o General tenha jurado dizer só a verdade perante este tribunal, tudo o que disse assim como as suas testemunha não conseguem provar a sua inocência, pelo que em consenso com os membros do Governo este homem vai ser condenado à morte perante a multidão de modo a que sirva de exemplo para todos os que pretendam desempenhar o mesmo papel.

Já na praça pública é queimado o General Gomes Freire de Andrade perante o olhar de consternação do povo que tanto amava e por quem lutou.

Actividades do Módulo 12 - Daniel

MÓDULO 12

Índice


Sophia de Mello Breyner Andresen. 3

Analise do Poema. 3

Dissertação. 5

Biografia. 6

Miguel Torga. 7

Biografia. 7

Analise do Poema. 8

Fernando Pessoa. 9

Biografia. 9

Analise do Poema. 11

Sophia de Mello Breyner Andresen

Analise do Poema

= Não se perdeu nenhuma coisa em mim =

Não se perdeu nenhuma coisa em mim.

Continuam as noites e os poentes

Que escorreram na casa e no jardim,

Continuam as vozes diferentes

Que intactas no meu ser estão suspensas.

Trago o terror e trago a claridade,

E através de todas as presenças

Caminho para a única unidade.

1 - Análise Formal

Este poema é composto por uma única estrofe de oito versos (Oitava). Os versos são decassílabos, isto é, cada verso é constituído por dez sílabas. A rima é cruzada em todos os versos com o esquema rimático: a-b-a-b.

2 - Recursos estilísticos

O recurso mais evidente neste poema é a antítese, pois o sujeito poético constrói o poema referindo-se a vários elementos que não perdeu e termina o poema referindo-se que tudo caminha para uma única unidade (“E através de todas as presenças // Caminho para a única unidade.”).

Existe também uma outra antítese, quando sujeito lírico diz que traz o terror e a claridade (“Trago o terror e trago a claridade,”). Refira-se ainda a construção paralelística no verso “Trago o terror e trago a claridade,”.

3 - Plano Semântico

Neste poema, o sujeito poético fala-nos do que é a Vida. Para ele a vida é um conjunto de acontecimentos que no final caminham para um Todo, ou seja, nós achamos que a Vida é constituída por caminhos muito diferentes, mas na verdade, a Vida é uma única unidade

Dissertação

Segundo Sophia de Mello de Breyner Andresen a população só se desenvolvera quando a cultura dos cidadãos evoluir.

O mundo desde sempre teve diferentes culturas e a união dessas culturas poderia fazer um mundo mais desenvolvido.

A religião fecha a cultura dos cidadãos. Se a religião disser que se a pessoa se matar, ela tem paz divina, as pessoas tendem a matar-se. As guerras civis e as guerras entre países são devidas à cultura, porque a cultura é muito preservada. Duas pessoas com culturas diferentes podem ter uma má comunicação entre elas porque os seus ideais podem ser diferentes.

Biografia

Sophia nasceu no Porto, em 1919, no seio de uma família aristocrática. A sua infância foi passada no Porto.

Aos 10 anos mudou-se para Lisboa. Escreveu poemas pela primeira vez aos 12 anos.

Frequentou o colégio Sagrado Coração de Maria até aos 17 anos, altura em que se inscreveu na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no curso de Filologia clássica. Sophia tinha um grande fascínio pelo mundo grego, tendo efectivamente viajado por toda a região Mediterrânica e pela Grécia. Não chegou a concluir o curso de Filologia.

Três anos depois casa-se e tem 5 filhos. Em 1944 publica o seu primeiro livro “Poesia”. O livro continha integralmente alguns poemas que ela tinha escrito aos 12 anos. Publicou mais tarde alguns livros de literatura infantil, tendo-se baseado na sua própria infância.

Durante o Salazarismo foi uma pessoa muito interventiva, opondo-se a esse regime sendo co-fundadora da Comissão Nacional de Presos Políticos. Após o 25 de Abril foi deputada, e presidiu à Assembleia-geral da Associação Portuguesa de Escritores.

Em 1990 resumiu todas as suas obras em três volumes, denominando-a “Obra Poética”, sendo também distinguida com o grande prémio e poesia Pen Clube. Foi galardoada também com o prémio Calouste Gulbenkian de literatura para crianças. Estes foram dois dos muitos prémios e que Sophia recebeu, sendo o mais importante de todos o prémio Camões.

Faleceu a 2 de Julho de 2004.

Miguel Torga

Biografia

Adolfo Correia Rocha, de nome literário Miguel Torga nasceu a 12 de Agosto de 1907, em S. Martinho de Anta, concelho de Sabrosa, distrito de Vila Real.

É proveniente de uma família humilde, e logo de pequeno teve de trabalhar no campo.

Aos 13 anos foi para o Brasil trabalhar numa quinta do tio, onde teve várias funções. Passados 5 anos voltou para Portugal, frequentando o curso de Medicina na Universidade de Coimbra concluindo-o em 1933. Foi colaborador da revista “Presença”, onde publicou vários poemas e prosas.

Em 1934 publicou a “Terceira Voz” onde adoptou pela primeira vez o pseudónimo de Miguel Torga. Em 1939 editou “O Quarto Dia”, que era um testemunho sobre a guerra civil de Espanha. Devido ao conteúdo do livro, Miguel Torga foi preso e o livro foi apreendido. Durante o tempo que esteve preso publicou um dos seus mais conhecidos poemas “Ariane”.

Em 1941 publicou o primeiro volume do “Diário” que é composto por dezasseis volumes.

Em 1960 teve uma candidatura ao prémio Nobel. Em 1969 recusou o Grande Prémio Nacional de Literatura. Foi-lhe atribuído o Prémio “Literário Diário de Notícias”.

Em 1978 foi de novo candidato ao Prémio Nobel com o apoio de várias personalidades intelectuais. Miguel Torga recebeu vários prémios como o Prémio “Montaigne”. Em 1989 recebeu o prémio Camões.

Faleceu no dia 17 de Janeiro de 1995.

= Comunhão =

Tal como o camponês, que canta a semear

A terra,

Ou como tu, pastor, que cantas a bordar

A serra

De brancura,

Assim eu canto, sem me ouvir cantar,

Livre e à minha altura.

Semear trigo e apascentar ovelhas

É oficiar à vida

Numa missal campa.

Mas como sobra desse ritual

Uma leve e gratuita melodia,

Junto o meu canto de homem natural

ao grande coro dessa poesia.

Cântico do Homem ( 1950)

Fernando Pessoa

Biografia

Fernando Pessoa nasceu em Lisboa em 1888 (onde virá a falecer) e aos 7 anos partiu para a África do Sul com a sua mãe e o padrasto, que foi cônsul em Durban. Aqui fez os estudos secundários, obtendo resultados brilhantes. Em fins de 1903 faz o exame de admissão à Universidade do Cabo. Com esta idade (15 anos) é já surpreendente a variedade das suas leituras literárias e filosóficas. Em 1905 regressa definitivamente a Portugal; no ano seguinte matricula-se, em Lisboa, no Curso Superior de Letras, mas abandona-o em 1907. Decide depois trabalhar como "correspondente estrangeiro".

Em 1912 estreia-se na revista A Águia com artigos de natureza ensaística. 1914 é o ano da criação dos três conhecidos heterónimos e em 1915 lança, com Mário de Sá-Carneiro, José de Almada-Negreiros e outros, a revista Orpheu, que dá origem ao Modernismo. Entre a fundação de algumas revistas, a colaboração poética noutras, a publicação de alguns opúsculos e o discreto convívio com amigos, divide-se a vida pública e literária deste poeta.

Pessoa marcou profundamente o movimento modernista português, quer pela produção teórica em torno do sensacionismo, quer pelo arrojo vanguardista de algumas das suas poesias, quer ainda pela animação que imprimiu à revista Orpheu (1915). No entanto, quase toda a sua vida decorreu no anonimato. Quando morreu, em 1935, publicara apenas um livro em português, Mensagem (no qual exprime poeticamente a sua visão mítica e nacionalista de Portugal), e deixou a sua famosa arca recheada de milhares de textos inéditos. A editora Ática começou a publicar a sua obra poética em 1942. No entanto, já o grupo da Presença tinha iniciado a sua reabilitação (poética e filosófica) face ao público e à crítica.

Um dos maiores génios poéticos de toda a nossa Literatura e um dos poucos escritores portugueses mundialmente conhecidos. A sua poesia acabou por ser decisiva na evolução de toda a produção poética portuguesa do século XX. Se nele é ainda notória a herança simbolista, Pessoa foi mais longe, não só quanto à criação (e invenção) de novas tentativas artísticas e literárias, mas também no que respeita ao esforço de teorização e de crítica literária. É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da Vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os célebres heterónimos - Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares.


Análise do Poema

= Autopsicografia (Pessoa Ortónimo) =

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.

- Os versos 3 e 4, o que me transmitem é que os poetas chegam ao ponto de fingir uma dor que na realidade sentem mesmo.

- Se se ler a dor que o poeta descreveu por escrita sente-se bem a dor dele.

- A terceira quadra sugere fingimento poético porque o coração não é um comboio e ele chama coraçã

Julgamento do General Gomes Freire - Bruno

São abertas as portas da sala de audiência para o povo entrar. O oficial de justiça chama o réu, colocando-o no lugar que a sala tem reservado para os réus. Os advogados sentam-se na sua mesa e preparam a documentação, respectivamente à acusação e à defesa.

Após tudo estar no seu devido lugar, entra então o Juiz e o Procurador, dando-se início ao julgamento.

O juiz pergunta a identidade completa ao réu e ajuramenta-o.

Juiz: -O que tem a dizer sobre os factos de que está sendo acusado?

Réu: -Apenas lhe tenho a dizer que estou a ser vítima de uma tremenda injustiça…

J: Assim como todos os que por aqui passam dizem… Para além disso tem mais algo a dizer?

R: Não, Vossa Excelência… passo a palavra ao meu advogado…

AD: O meu cliente está a ser acusado de um crime que não cabe na cabeça de ninguém. Todo o seu prestigio...

AA: Prestigio esse que está a ser utilizado para incriminar o rei e ser ele mesmo o próximo…

AD: Protesto… afinal que prova há para tal acusação? Eu até ao momento nenhuma vi…

AA: Provas…? Pois bem… peço que entre a primeira testemunha, Sr. Juiz!

J: Concordo. Que entre a primeira testemunha!

Entra a primeira testemunha. Gera-se um enorme tumulto entre os presentes. Após o juramento inicia o seu depoimento.

AA: Então que tem a dizer sobre este homem, considera-o culpado?

Testemunha: tenho a dizer que tenho uma carta onde o acusado confessa todos os seus planos para acabar com o Rei, e assim subir ao trono.

AA: Então, está satisfeito?

AD: Vejamos o que o réu tem a alegar em sua defesa.

R: Apenas tenho a dizer que essa carta não pode existir, e que se existe não foi escrita pela minha mão…

Procurador: É possível ver essa carta?

AA: Claro que sim!

Dando a carta ao procurador, virou-se e deu uma risada de gozo. O Procurador passou a carta ao Juiz, este argumentou:

J: Preciso de algo que prove que esta carta é escrita pelo acusado, e tenho de verificar se está registada em cartório. Só depois poderei considerá-la como prova. Tem mais alguma testemunha? – pergunta ao advogado de acusação.

AA: Penso que deve ser suficiente, pois sei que a carta está registado em cartório.

O Juiz deu por encerrado o julgamento, marcando o próximo, para dali a um mês.

Passado o um mês…

J: Jura dizer a verdade e nada mais que a verdade? – pergunta o Juiz para o Réu.

R: Juro.

J: No último julgamento foi acusado de conspirar contra o rei, tendo como prova uma carta, a qual fiquei de avaliar. Correcto? – virando-se para o advogado de defesa.

AD: Sim, Meritíssimo…

J: Bom, após a avaliação efectuada por mim e pelo Procurador, conseguimos verificar que a carta está registada em cartório…

AD: Meritíssimo… durante todo este mês estive numa investigação e consegui descobrir uns rascunhos dessa carta tentando falsificar a letra do meu cliente e a sua assinatura. Encontrei tudo isto na biblioteca da cidade, dentro de um livro o qual tinha sido pela última vez requisitado pelo Sr. Principal Sousa. E também fui verificar o livro do cartório onde são registadas as cartas e encontrei uma folha arrancada, que foi alterada e colocado o registo da carta em questão!

J: Que tem a dizer sobre isto? – pergunta ao advogado de acusação.

AA: Nada, Meritíssimo… apenas peço para falar com a testemunha por breves momentos…

O Juiz concedeu dez minutos. Terminado esse tempo, o advogado de acusação olhou para o chão e encolheu os ombros, mostrando derrota…

J: Peço para verificar os documentos em conjunto com o Procurador. Intervalo de trinta minutos. Obrigado.

Após os trinta minutos…

J: conforme disse, analisei os “rascunhos” e o que foi afirmado pelo advogado de defesa e tirei uma conclusão: o General Gomes foi incriminado. Este processo está encerrado, considerando o General Gomes inocente.

Dou por aberto um processo contra o Sr. Principal Sousa, e suas falsas testemunhas…

Thursday, June 16, 2005

Relatório da visita de Estudo a Lisboa

Nos dias 20 e 21 de Abril as turmas do 2º e 3º ano do Curso Técnico de Gestão de Sistemas Informáticos, realizaram uma Visita de Estudo a Lisboa, no âmbito dos conteúdos leccionados na disciplina de Português e das várias disciplinas da Componente Técnica, tendo sido acompanhadas pelos professores, Américo Rodrigues e Adelina Moura.
A saída da escola ocorreu por volta das 9h do dia 20 e a chegada a Lisboa foi por volta das 14h 30m para visitar a IBM. Chegados às suas instalações, os alunos foram guiados por dois responsáveis pelas visitas à empresa que os elucidaram sobre os serviços prestados pela IBM Portugal e os conduziram às diferentes áreas da empresa, com explicações sobre a utilidade de cada espaço. Tratando-se essencialmente de uma empresas de armazenamento de dados, as questões de segurança foram bastante exploradas pelos guias, no sentido de sensibilizar os alunos para aquelas questões e mostrar alguns dos procedimentos mais utilizados pela empresa para a protecção dos dados. Esta visita foi muito importante para estas duas turmas, não só por se integrar na esfera do curso, como também pela oportunidade que tiveram em entrar numa organização como é a IBM. Esta visita atingiu plenamente os objectivos iniciais.
Depois da saída da IBM, houve necessidade de ajustar o plano da visita, inicialmente estabelecido, em virtude de contratempos, alheios aos organizadores. Assim, e a fim de optimizar o tempo e o cumprimento das visitas planeadas, a visita que era para ser realizada pelas 16h30 ao Pavilhão do Conhecimento foi transferida para a manhã do dia 21, tendo-se feito o roteiro de Fernando Pessoa após a saída da IBM.
Para o passeio da Lisboa de Fernando Pessoa a professora de Português distribuiu aos alunos um roteiro com a indicação dos espaços a visitar e da sua história relativamente ao poeta, bem como um autocolante com a imagem de Fernando Pessoa. O percurso do roteiro foi integralmente realizado a pé, tendo começado na Praça do Comércio e terminado no Chiado, junto da Casa Havaneza.
Este palmilhar dos espaços emblemáticos da biografia pessoana foi muito bem acolhido pelo grupo de alunos que assim puderam desfrutar do ambiente lisboeta e explorar alguns lugares do mítico poeta. Também esta visita atingiu os objectivos traçados.
Por volta das 20h deu-se entrada no Centro de Lazer da Costa da Caparica, onde se jantou e dormiu, tendo havido lugar para um são convívio entre alunos/alunos e alunos/professores.
Na manhã do dia 21 saiu-se do Centro de Lazer por volta das 9h da manhã, depois de tomado o pequeno-almoço, para se estar por volta das 10h no Pavilhão do Conhecimento onde havia visita marcada. O Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva é um museu interactivo de ciência e tecnologia que visa tornar a Ciência mais acessível a todos, estimulando a exploração do mundo físico e a experimentação. Os alunos puderam visitar a exposição itinerante, Ciência e Desporto e aí experimentar os diferentes módulos da exposição e visitar duas exposições permanentes, Matemática Viva e Exploratorium, em cada uma delas os alunos puderam explorar por si próprios e experimentar à sua vontade um conjunto de fenómenos. Também esta visita atingiu os objectivos definidos.
Não há registo de nenhuma ocorrência, pelo que podemos considerar cumpridos todos os objectivos desta visita de estudo. Há a salientar o comportamento exemplar de todos os alunos participantes, tanto no que se refere à pontualidade, como à forma interessada como participaram no programa da visita, actuando com o máximo de respeito e educação em todos os locais e com os diferentes interlocutores, dando mostras de um nível educacional bastante positivo.
Nunca é demais dizer que as visitas de estudo são actividades pedagógicas riquíssimas, tanto do pondo de vista do enriquecimento pessoal, como académico, pelo que se sugere que sempre que possível se destine algum tempo lectivo para as realizar.

Adelina Moura

Sunday, June 12, 2005

Defesa do General Gomes Freire D’Andrade - Andreia


Já todos esperavam que o julgamento começasse.

Juiz:- Senhor Gomes Frei D’Andrade, jura dizer a verdade!

Andrade:- Juro que digo a verdade e nada mais que a verdade.

Juiz:- O que tem a dizer em sua defesa.

Andrade:- Sr. Juiz, sou inocente, nem sei por que me acusaram, sou inocente, porque é que eu iria conspirar contra o rei se eu tenho amor a pátria.

Juiz:- Mas pelos vistos existem provas, e o que tem a dizer em relação a isso!

Andrade:- Que provas? Não existem provas, se existem são falsas.

Juiz: Então prove-nos que está inocente!

Andrade:- Sr. Juiz, que provas quer que lhe apresente eu sou inocente, eu também não posso mentir, jurei que diria a verdade.

O Juiz fica calado e após uns minutos respira fundo.

Juiz-: Silêncio, se faz favor. Um momento de atenção por favor. Como o Sr. Andrade jurou dizer a verdade e só a verdade, e ele diz que isto não passa de uma brincadeira de mau gosto, dou por encerrado este julgamento e deixo o general sair em liberdade.

Andreia Veloso e Joel Marques

Sunday, June 05, 2005

“O Julgamento” - José Marques


(Chega o dia do julgamento em que se ia decidir o futuro do General Gomes Freire de Andrade e talvez o futuro do povo. Entram na sala de julgamento o General com o seu advogado de defesa, de seguida os advogados de acusação pagos pelo Rei e contratados por BERESFORD e a plateia. Uma plateia repleta de pessoas do povo onde se encontravam amigos, familiares, apoiantes, seguidores e pelo meio também os inimigos e traidores de Freire. Nisto entra o Juiz, um juiz imparcial e conhecido pela sua frieza e sentido de justiça que cada caso era um caso ganho para o bem, mas será que ia chegar? Sim, porque BERESFORD podia não ter conseguido subornar o Juiz mas desde o Porteiro do tribunal até às testemunhas que supostamente iam ajudar a defesa do Freire estavam comprometidos.)

Juiz: Levante-se o General Gomes Freire de Andrade arguido deste caso de conspiração contra o Rei. (levanta-se o General) Muito bem pode sentar-se. O Sr. sabe de que é acusado?

General: Sei sim Sr. Meritíssimo, estou aqui por lutar pelos interesses do povo que é martirizado….

J: Calma, eu só lhe perguntei se sabia o porquê de ser acusado, a sua defesa é mais à frente. Muito bem passemos à acusação, queiram os advogados de acusação iniciar a mesma!

Advogados de Acusação: Muito obrigado Meritíssimo, como é sabido por todos, este homem pode ser tudo menos inocente, quer contra o Rei quer contra o povo que ele diz defender…

G: (Levanta-se o General indignado) O quê, isto é….

J: Silêncio! Mais uma intervenção destas não autorizada e acabo já com esta secção.

G: Desculpe Meritíssimo.

AA: Como eu ia a dizer antes do réu me interromper indecentemente e bruscamente…

Advogados de Defesa: Desculpe Meritíssimo mas este senhor está a indiciar o réu e a provocá-lo quando nada foi provado, ainda.

J: Desculpas aceites, e senhores advogados de acusação tenham mais cuidado, pois o que disse ao réu também serve para vós!

AA: Desculpe Meritíssimo, seguindo o meu raciocínio anterior, como o réu alega, ele diz ser um “libertador do povo”, então como é possível a gente do povo a quem ele se alia acabar mortos mais tarde ou mais cedo? (Nisto cria-se um murmúrio enorme entre a multidão)

J: (Bate o Juiz com o seu martelo na mesa e exige silêncio) Silêncio! Silêncio! Será preciso esvaziar a sala? Prossiga…

AA: Acho que a própria voz do povo diz tudo, passo à defesa, se é que pode haver alguma…

J: Muito bem, tem a palavra a defesa.

AD: Muito obrigado senhor Meritíssimo, vou começar…

G: Desculpe senhor Meritíssimo e desculpe colega, (pois nesta altura o General já desconfiava que nem no seu advogado devia estar imune ao suborno do Beresford) eu gostaria de ser eu próprio a realizar a minha defesa pois se sou acusado, e seguindo o raciocínio do advogado de defesa, o meu advogado pode morrer, e isso é a única coisa que eu não quero que aconteça.

J: Muito bem, não vejo objecção nisso, pode prosseguir.

G: Muito obrigado Meritíssimo, como o Meritíssimo sabe eu sou aqui acusado de conspiração contra o Rei, ao qual não desejo mal nenhum, mas sim contra o seu absolutismo e…

AA: Não é preciso ouvir mais nada, já declarou que era culpado.

J: Silêncio! Mais uma intervenção dessas e é expulso da secção. O réu pode prosseguir com a defesa.

G: Obrigado, e apenas quero o melhor para o povo, pois viver sobre a escravidão de alguém, passar fome, não saber o porquê de existir, não ter liberdade de expressão, isso Meritíssimo, não é viver…

AA: Protesto Senhor Meritíssimo, isto é…

J: Protesto indeferido, o réu pode prosseguir.

G: Se me estão a acusar de querer o melhor para o povo, de lutar pela igualdade, pela liberdade, por um mundo melhor, aí Senhor Meritíssimo eu sou culpado.

(Nisto levanta-se um enorme murmúrio entre a plateia e advogados, que nem o Juiz conseguiu calar com o seu martelo, mas depois de tanto insistir o barulho lá começou a diminuir e finalmente o juiz conseguiu falar)

J: Silêncio, acabou, não há condições para continuar com esta secção, fica adiada para daqui a 2 dias, com as portas fechadas. O réu pode permanecer em liberdade condicional, pois não vejo nada que justifique a sua prisão, por enquanto. (Batendo com o Martelo na mesa) Declaro esta primeira parte da secção encerrada.

(Mal sabia o juiz que tinha assinado a sua morte com as ultimas palavras proferidas. No dia seguinte foi encontrada o juiz morto na sua cama e o General foi enforcado mesmo com a onda de revolta que se levantou.)

Gomes Freire de Andrade – “O julgamento” - Carlos Ribeiro

Personagens:

- Gomes Freire de Andrade – O Réu

- Rei D. Miguel – O observador

- O juiz

- Beresford – Acusação

- Principal Sousa – Acusação

- Vicente – Denunciante

- Falcão – O Amigo, Testemunha

- Matilde – Esposa

Palco:

- Tribunal

Havia chegado o grande dia… Gomes Freire de Andrade já se encontrava, no tribunal, passavam apenas 5 minutos das 15 horas, e a ansiedade reinava junto do General, da sua esposa e de Falcão, pois estes eram os principais preocupados com o desfecho do julgamento.

Vários minutos após as horas marcadas para o inicio do julgamento, e após muito sofrimento por parte do acusado, eis que entra, confiante com ar superior o rei D. Miguel. Atravessando toda a sala com um ar imponente e ameaçador, dirige-se ao General e profere-lhe as seguintes palavras:

D. Miguel – O início do fim da tua curta vida começa aqui, agora!

Dirigindo-se à sua cadeira imperial e majestosa, senta-se subtilmente e aguarda a entrada do Juiz, que não se faz tardar e entra logo de seguida.

Com um ar visivelmente cansado e perturbado, lá estava o General aguardando o seu terrível futuro.

O Juiz dá por iniciado ao julgamento.

Juiz – O Réu está presente?

General – Estou sim, meritíssimo.

Juiz – Está aberta a audiência.

Sentando-se começa a citar as razões do dito julgamento.

Juiz – Estamos aqui presentes hoje, pois o General Gomes Freire de Andrade, foi acusado impunemente de conspiração contra El-Rei D. Miguel, sendo assim e havendo as provas mínimas suficientes, o General pode incorrer numa pena de fuzilamento por justa causa.

Chamo a este tribunal a primeira testemunha de acusação, Vicente.

Vicente – Presente e pronto a facultar-lhe todas as informações necessárias, para que o Réu seja impunemente castigado, meritíssimo.

Juiz – Diga-nos tudo o que sabe sob a pena de poder ser também fuzilado caso nos minta ou engane com informações falsas.

Vicente – Senhor meritíssimo, eu como um fiel e leal servidor de El-Rei, procuro conspiradores entre o povo, tendo ouvido rumores de uma conspiração, procurei saber quem comandava o mesmo e entregá-lo-ia imediatamente a El-Rei…

Não deixando acabar a frase o juiz interrompeu-o dizendo:

Juiz – Faça o favor de passar ao que interessa! Deixe-se de rodeios.

Vicente – Muito bem meritíssimo, assim será. Os rumores passavam pela acusação do General, e como pude constatar é verdade. Eu próprio assisti a uma reuniam, na qual se tratou de ajustes e angariação de novos conspirantes para o grupo do General.

General – Meritíssimo, como pode este homem dizer is…

Não deixando nem sequer o General acabar a sua frase o Juiz parou-o, ordenando:

Juiz – Cale-se! Ainda não chegou a sua vez.

Pode retirar-se que entre Beresford.

Beresford – Meritíssimo apenas a verdade interessa, e a verdade é que o General Gomes Freire de Andrade é um dos maiores conspiradores contra El-Rei. Eu penso que o Fuzilamento é pouco.

Juiz – Fale-nos mais implicitamente sobre o que o leva a afirmar isso.

Beresford – Eu não passo de um general estrangeiro, contudo nos meus tempos de General em que convivia diariamente com o General, ele próprio me confidenciou que ansiava por acabar com o reinado.

Esta acusação caiu como uma bomba na sala, Matilde e Falcão, ali presentes ficaram surpreendidos com tal mentira proferida por Beresford.

Juiz – Penso que não há mais nada a dizer… contudo chamo ainda uma última testemunha.

Não estava mencionada mais nenhuma testemunha como tal Falcão, pergunta:

Falcão – Meritíssimo esta próxima e misteriosa testemunha não nos foi referida.

Juiz – Neste tribunal quem manda sou eu e para que não hajam dúvidas quantas mais testemunhas melhor.

Agradado com o decorrer do julgamento, estava o atento observador D. Miguel.

Juiz – Que entre o Principal Sousa.

O espanto foi total, como podia o clero ir a favor da morte de um homem?

Principal Sousa – Meritíssimo, hoje aqui presente venho aqui afirmar com toda a clareza que o General Gomes Freire de Andrade tem que ser condenado, é um homem repugnante, arrogante e que faz tudo para acabar com este fabuloso reinado.

Juiz – Quais são as acusações plausíveis de condenação que tem para me apresentar?

Principal Sousa – Fizeram-me chegar à igreja maior do reino onde actualmente tenho a minha residência imperial, que ao fim de uma eucaristia, estava descaradamente um homem bem parecido, que por sinal era o General Gomes Freire de Andrade, a tentar convencer os paroquianos a gerar um grupo de pessoas para uma conspiração contra El-Rei aqui presente.

Matilde exaltada e chorando tenda defender o seu marido dizendo:

Matilde – Como é possível um homem do clero, afirmar tal blasfémia sobre o meu pobre marido, que não se pode defender?

Juiz – O General terá a sua oportunidade de se defender, aguarde.

Peço a Falcão que se apresente perante mim!

Falcão – Meritíssimo, posso aqui afirmar perante si, que o General é inocente. Ele é um homem de bem, honrado, muito dedicado e leal.

Juiz – Pois… isso é o que dizem todos, se continuar assim só a morte lhe resta… quer fundamentar melhor a sua defesa?

Falcão – Meritíssimo, como é possível insinuar tal coisa? Um homem como o General não pode ser assim humilhado. Morto em frente ao povo? Como um ladrão ou assassino? Quem nos prova que estes depoimentos são reais? Não há justiça neste país…

Irritadíssimo, o juiz exclama interrompendo Falcão:

Juiz – Chega! Que pare por aqui, não permito que se critique tão ilustre reinado, de uma forma tão insolente. Foi um abuso, considere-se avisado para seu bem e do General.

Sussurrando Falcão exclama:

Falcão – Isto não pode acontecer, que falta de ética e compreensão.

Juiz – Por fim chamo o arguido, General Gomes Freire de Andrade.

General – Meritíssimo, como posso eu estar aqui? O que fiz eu? Fui preso injustamente e quero prová-lo.

Com um sorriso irónico, o juiz exclama:

Juiz – Isso é o que vamos ver. Continue mas rápido, já não lhe resta muito tempo.

General – Como posso eu ter sido preso sem que nem um mandato de captura os oficiais tinham? Que justiça existe em Portugal?

Juiz – A justiça é feita pelos poderosos, e pelos seguidores leais a El-Rei.

General – Quem pode afirmar que não o sou?

Juiz – Cale-se já! Aqui quem faz as perguntas sou eu. Foi aqui afirmado que promovia e liderava reuniões conspiratórias contra El-Rei, é verdade? Qual foi a sua intenção ao confidenciar a algumas testemunhas que ansiava por destruir o reinado?

Já surpreendido e visivelmente abatido com as acusações,

General – Nunca tal poderia ter feito, mentirosos! Nem conheço pessoalmente Beresford, como pode ter afirmado tal coisa? Nunca foi minha intenção acabar com o reino. Um reinado tão próspero tem que ser controlado por uma pessoa à altura…

Juiz – Está a tentar insinuar que o reino está mal governado? Estrangeirado…

General – Estou sim! Meu primo não tem amor pelo povo, tem medo que o povo acabe com ele, tenho ódio eterno por ele.

Juiz – Como pode exclamar tal coisa?

General – Este julgamento foi montado para me matar, pois que seja, prefiro morrer com honra do que morrer um ignorante como vocês os seguidores interesseiros de D. Miguel. Não é verdade que conspirei mas é verdade que anseio pelo fim deste reinado que enoja a Europa e tudo que nos rodeia, é preciso que o povo acorde para a vida, é preciso que o povo seja culto e inteligente para perceber o mal que os rodeia…

Juiz – Não percebo como pode um homem da sua cultura espiritual ser tão…

Interrompendo o próprio Juiz o General Argumenta:

General – Não percebo, o próprio Juiz que deveria ser imparcial, e uma pessoa justa e honrada, torna-se neste reino em interesseiro seguidor do rei.

Em tom de visivelmente alterado eis que D. Miguel se pronuncia:

D. Miguel – Como pode um infiel argumentar tal coisa? Quem julga que é o General? Juiz, ordeno que lhe seja decretada a morte por fuzilamento em frente ao povo todo, quero que esteja toda a gente para que ninguém sonhe nunca mais em revolução!

General – O Senhor da desonra finalmente da a sua opinião. Mas Deus é justo e este reinado há-de acabar pelas mãos do povo.

Sorrindo ironicamente D. Miguel exclama:

D. Miguel – Nunca tal acontecerá.

Juiz – Para finalizar este julgamento apenas a sentença falta dar… O General está condenado ao fuzilamento daqui a três dias, e como falta de cooperação e reconhecimento do seu crime, até lá não poderá ser visitado e não comerá nem beberá, de modo a ser um exemplo para os seus seguidores.

Ao fundo da sala ouviam-se choros e lamentações, era Matilde, a mulher do General que via a morte do marido como um fim da esperança do povo na liberdade…