Wednesday, June 22, 2005

Correcção da Prova escrita - Módulo 12 - Daniel

1. Lê com atenção o poema e responde com correcção às perguntas formuladas:

Ó sino da minha aldeia
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.


E é tão lento o teu soar
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo sempre errante,
És para mim como um sonho
Soas-me na alma distante.


A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

Fernando Pessoa, Cancioneiro

1.1. Atenta na primeira estrofe e descreve as impressões transmitidas pelas badaladas do sino. (15pts)

R: As badaladas do sino transmitem um sentimento de aflição e melancolia.

1.2. Explica o sentido do verso: “Soa dentro da minha alma”. (15pts)

R: A badalada é tão sentida emocionalmente que consegue ressoar no íntimo do poeta.

1.3. Tão como triste da vida”. Comenta o valor expressivo deste verso. (10pts)

R: Este verso tem um valor muito expressivo pois o poeta compara a lentidão do soar do sino ao estado de espírito da vida, podendo considerar mesmo nostálgico.

1.4. Que sentimentos sugere ao sujeito poético? (10pts)

R: Ao sujeito poético sugere sentimentos de tristeza e de melancolia.

2. Explica em que medida o passado e a saudade se interseccionam no poema. (15pts)

R: Cada badalada que ouve relembra mais o passado, e sente a saudade cada vez mais próxima ao sentir as recordações

3. A angústia existencial e a nostalgia são marcas de Fernando Pessoa. Mostra como estas características estão presentes neste poema.(15pts)

R: Através deste poema Fernando Pessoa mostra-se ansioso no que sente em relação às badaladas do sino e ao que estas transmitem, assim como a saudade dos tempos passados se acentua cada vez que o sino toca.

4. Retira do poema, dois recursos estilísticos e comenta a sua expressividade. (15pts)

R: - És para mim como um sonho – comparação

- Ó sino da minha aldeia
Dolente na tarde calma, - Personificação

5.1. Faz a análise formal do poema (versos, estrofes, rima, esquema rimático) (15pts)

R: Quanto aos versos – Octossílabos

Quanto às estrofes - Quadra.

Quanto à Rima – Consoante

Quanto ao esquema rimático – Interpolada

6. Comenta cada um dos versos dos três heterónimos que a seguir te apresento.

“ Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui” Ricardo Reis

“Esta velha angústia,

que trago há séculos em mim,

transbordou da vasilha” Álvaro de Campos


“O muno não se fez para pensarmos nele

(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo… Alberto Caeiro

(30 pontos)

R: Ricardo Reis através destes versos transmite que para se ser alguém temos que ser nós próprios nenhuma das nossas características é a mais ou se omite.

Álvaro de Campos atinge o limite das forças quando a angústia que o acompanhou ao longo da sua vida extravasou o seu interior.

Alberto Caeiro A vida não é para estar sempre a pensar nela, pois ao pensar não se está a observar o que nos rodeia, mas sim para observarmos e estarmos felizes com o que nos rodeia.

II

“… Hoje já não tenho personalidade: quanto em mim haja de humano eu o dividi entre os autores vários de cuja obra eu tenho sido o executor. Sou hoje o ponto de reunião de uma pequena humanidade só minha”.

Partindo deste excerto sintetiza o conteúdo da carta que Pessoa escreve ao seu amigo Adolfo Casais Monteiro sobre a génese dos heterónimos.

(20 pontos)

R: Cada um dos heterónimos de Fernando Pessoa tem a sua maneira de ser, de ver, de pensar e de escrever, logo Fernando Pessoa escrevendo nas três pessoas é o ponto em comum dos três heterónimos, conforme se vão transformando ou evoluindo num ou noutro sentido é sempre Fernando Pessoa que lhe dá o destino, embora se sinta sem individualidade ao dividir pelos vários autores as diferentes formas de escrever e de se exprimir.

III

Fernando Pessoa, escritor modernista do século XX, provavelmente o maior poeta português a seguir a Luís de Camões, transmite em Mensagem o seu maior elogio ao espírito de conquista dos descobridores portugueses dos séculos XV e XVI.

Há mesmo estudiosos que consideram que Fernando Pessoa foi, até hoje, quem melhor soube ler Os Lusíadas. Se Luís de Camões é o pai da língua portuguesa, se foi ele quem passou para o papel, de forma eloquente, o sentimento português, Fernando Pessoa é o continuador desse caminho, incutindo-lhe o carácter único da sua perspectiva de ver as coisas.

Esse espírito grandioso cantado por Camões e por Pessoa está retratado em quase todos os poemas de Mensagem. Os séculos subsequentes aos Os Lusíadas foram extremamente penalizadores para o nosso país. Portugal foi, gradualmente, perdendo o seu Império e, por tabela, as riquezas. No século XIX, a situação agravou-se. Sofremos as invasões napoleónicas, ficámos subjugados ao poderio inglês, o nosso atraso em relação aos colossos da Europa imperialista era cada vez maior. No plano interno, a hipocrisia de uma sociedade movida pela ganância foi superiormente retratada em Os Maias, de Eça de Queirós. O governo monárquico caiu em descrédito e com o ultimatum inglês (1891) o orgulho nacional estava a sangrar de humilhação. Ora, é neste contexto sócio-histórico que Fernando Pessoa escreve a Mensagem. Embora a sua grandeza como obra a torne intemporal, a circunstância cronológica em que foi escrita vai aumentar a importância do seu conteúdo. Com efeito, o elogio tecido por Pessoa da ambição dos portugueses em partir à conquista de novos mundos constituirá como que uma regeneração do orgulho português, que estava a passar por uma crise de identidade. Pessoa eleva a insatisfação de alma como a maior virtude dos conquistadores portugueses e assume que tem como pretensão mitificar esse espírito português. A personificação desse mito é D. Sebastião. O poeta considera-o um «louco», mas não na acepção negativa que lhe damos, antes com uma conotação, superior, de alguém que é louco «porque quis grandeza / Qual a sorte não dá». Porque, para Pessoa, a loucura é exactamente aquilo que dá ao homem a razão para existir.

Resume este excerto (1/3 do texto inicial).

40 pontos

R:

O maior poeta português a seguir a Camões é, talvez Fernando Pessoa. Um escritor modernista do séc. XX. Ele escreve aquilo que pensa sobre o espírito de conquista dos descobrimentos portugueses dos séc. XV e XVI.

Dizem que Fernando Pessoa foi quem melhor leu Os Lusíadas.

Camões e Pessoa cantam o seu espírito grandioso em quase todos os poemas de Mensagem.

Os séculos a seguir a “Os Lusíadas” foram muito maus para o nosso país. Portugal, aos poucos, foi diminuindo o seu império, e com isso as riquezas. Com invasões napoleónicas, no séc. XIX, a situação no país piorou, e em relação às “potências” europeias, o país tinha um atraso cada vez maior.

Foi com o governo monárquico a cair em descrédito e com o ultimato inglês, que o orgulho nacional ficou afectado. E é neste encadeamento que Fernando Pessoa se baseia para escrever a mensagem. Pessoa ajudou imenso na reestruturação do orgulho português, ao elogiar a ambição dos portugueses na conquista de novos mundos.

D. Sebastião é considerado, por Pessoa, um “Louco”, não pela negativa mas sim “porque quis grandeza / Qual a sorte não dá”, como descreve Pessoa, porque para ele o homem existe devido à loucura.

4 Comments:

Blogger Catarina Viegas said...

Olá
Quero agradecer :-) pois esta correcção facilitou-me imenso o que foi excelente para mim...

Continua
Beijos
Catarina

2:30 PM  
Blogger Catarina Viegas said...

This comment has been removed by the author.

2:30 PM  
Blogger mestre said...

muito obrigado
esta análise ajudou-me muito em relação ao poema
muito obrigado

9:03 AM  
Blogger mestre said...

This comment has been removed by the author.

9:03 AM  

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