Wednesday, June 22, 2005

Julgamento do General Gomes Freire - Bruno

São abertas as portas da sala de audiência para o povo entrar. O oficial de justiça chama o réu, colocando-o no lugar que a sala tem reservado para os réus. Os advogados sentam-se na sua mesa e preparam a documentação, respectivamente à acusação e à defesa.

Após tudo estar no seu devido lugar, entra então o Juiz e o Procurador, dando-se início ao julgamento.

O juiz pergunta a identidade completa ao réu e ajuramenta-o.

Juiz: -O que tem a dizer sobre os factos de que está sendo acusado?

Réu: -Apenas lhe tenho a dizer que estou a ser vítima de uma tremenda injustiça…

J: Assim como todos os que por aqui passam dizem… Para além disso tem mais algo a dizer?

R: Não, Vossa Excelência… passo a palavra ao meu advogado…

AD: O meu cliente está a ser acusado de um crime que não cabe na cabeça de ninguém. Todo o seu prestigio...

AA: Prestigio esse que está a ser utilizado para incriminar o rei e ser ele mesmo o próximo…

AD: Protesto… afinal que prova há para tal acusação? Eu até ao momento nenhuma vi…

AA: Provas…? Pois bem… peço que entre a primeira testemunha, Sr. Juiz!

J: Concordo. Que entre a primeira testemunha!

Entra a primeira testemunha. Gera-se um enorme tumulto entre os presentes. Após o juramento inicia o seu depoimento.

AA: Então que tem a dizer sobre este homem, considera-o culpado?

Testemunha: tenho a dizer que tenho uma carta onde o acusado confessa todos os seus planos para acabar com o Rei, e assim subir ao trono.

AA: Então, está satisfeito?

AD: Vejamos o que o réu tem a alegar em sua defesa.

R: Apenas tenho a dizer que essa carta não pode existir, e que se existe não foi escrita pela minha mão…

Procurador: É possível ver essa carta?

AA: Claro que sim!

Dando a carta ao procurador, virou-se e deu uma risada de gozo. O Procurador passou a carta ao Juiz, este argumentou:

J: Preciso de algo que prove que esta carta é escrita pelo acusado, e tenho de verificar se está registada em cartório. Só depois poderei considerá-la como prova. Tem mais alguma testemunha? – pergunta ao advogado de acusação.

AA: Penso que deve ser suficiente, pois sei que a carta está registado em cartório.

O Juiz deu por encerrado o julgamento, marcando o próximo, para dali a um mês.

Passado o um mês…

J: Jura dizer a verdade e nada mais que a verdade? – pergunta o Juiz para o Réu.

R: Juro.

J: No último julgamento foi acusado de conspirar contra o rei, tendo como prova uma carta, a qual fiquei de avaliar. Correcto? – virando-se para o advogado de defesa.

AD: Sim, Meritíssimo…

J: Bom, após a avaliação efectuada por mim e pelo Procurador, conseguimos verificar que a carta está registada em cartório…

AD: Meritíssimo… durante todo este mês estive numa investigação e consegui descobrir uns rascunhos dessa carta tentando falsificar a letra do meu cliente e a sua assinatura. Encontrei tudo isto na biblioteca da cidade, dentro de um livro o qual tinha sido pela última vez requisitado pelo Sr. Principal Sousa. E também fui verificar o livro do cartório onde são registadas as cartas e encontrei uma folha arrancada, que foi alterada e colocado o registo da carta em questão!

J: Que tem a dizer sobre isto? – pergunta ao advogado de acusação.

AA: Nada, Meritíssimo… apenas peço para falar com a testemunha por breves momentos…

O Juiz concedeu dez minutos. Terminado esse tempo, o advogado de acusação olhou para o chão e encolheu os ombros, mostrando derrota…

J: Peço para verificar os documentos em conjunto com o Procurador. Intervalo de trinta minutos. Obrigado.

Após os trinta minutos…

J: conforme disse, analisei os “rascunhos” e o que foi afirmado pelo advogado de defesa e tirei uma conclusão: o General Gomes foi incriminado. Este processo está encerrado, considerando o General Gomes inocente.

Dou por aberto um processo contra o Sr. Principal Sousa, e suas falsas testemunhas…

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