Wednesday, June 22, 2005

O Julgamento de Gomes Freire D' Andrade - Daniel




INTRODUÇÃO

O presente trabalho insere-se na disciplina de português, sendo alusivo à obra de Luís Sttau Monteiro, intitulado “Felismente há Luar”, esta obra proporciona uma análise crítica da sociedade, mostrando a realidade, do modo a levar os espectadores a reagir criticamente e a tomar uma posição.

Felizmente Há Luar! é um drama narrativo, de carácter social, dentro dos princípios do teatro épico. Na linha do teatro de Brecht, exprime a revolta contra o poder e a convicção de que é necessário mostrar o mundo e o homem em constante devir. Defende as capacidades do homem que tem o direito e o dever de transformar o mundo em que vive. Por isso, oferece-nos uma análise crítica da sociedade, procurando mostrar a realidade em vez de a representar, para levar o espectador a reagir criticamente e a tomar posição.

O trabalho que se segue faz alusão à miséria que se vivia no tempo da ditadura.

Muitas foram as pessoas acusadas por traição à pátria quando manifestavam interesse em acabar com as injustiças sociais

O JULGAMENTO DE GOMES FREIRE DE ANDRADE

Há muitos anos, na época em que o povo era escravizado e explorado, vivendo na miséria, um General forte, destemido e adorado pelo povo com o nome de Gomes Freire de Andrade tentou reunir o povo e conspirar contra El Rei, tentando derrubá-lo.

Mas, no meio do povo existiam os “bufos” que eram pessoas leais ao rei que não se importavam com a miséria em que o povo vivia, só tinham a preocupação de mostrar lealdade ao rei de modo a ascender socialmente e a ser beneficiados, um tal de Vicente queria a todo o custo agradar ao Rei e mal soube da conspiração resolve informá-lo do que se passa.

EL Rei ao saber que era Gomes Freire de Andrade a liderar a conspiração, ficou indignado com vontade de vingança, pois sabia que este era amado pelo povo, sentimento que EL Rei não conseguia despertar, resolve mandar prender o General e levá-lo a julgamento.

Chegado o dia do julgamento do General por conspiração contra EL Rei, este é informado de que ele e as testemunhas teriam 30 minutos para argumentar em sua defesa e apresentar provas que o ilibassem das acusações.

O juiz deu início ao julgamento, onde estavam presentes duas testemunhas de defesa do General, que eram a sua mulher Matilde e um amigo de longa data,

António Sousa Falcão, mas também todos os membros do governo, como testemunhas de acusação e ansiosos por conseguir calar Gomes Freire de Andrade.

O julgamento tem início com o Juiz dizendo:

Senhor Gomes Freire de Andrade, jura por amor a este povo que o espera à porta do tribunal, dizer verdade e nada mais que a verdade?!

Gomes Freire de Andrade: - (Com voz forte) Juro por amor a este povo que é a razão da minha vida, que digo a verdade e nada mais que a verdade.

Juiz:- (Apresentando um ar de indiferença) O que alega em sua defesa sobre as acusações de conspiração contra o rei, seus representantes e contra a pátria.

Gomes Freire de Andrade: - Sr. Juiz tenho a dizer que estou a ser acusado inocentemente, não sei quem me acusa, nem porquê, sei que deve ser alguém que tem muito medo da verdade.

Juiz: - O que tem a dizer sobre as provas apresentadas?

Gomes Freire de Andrade: - Provas? Não sei que género de provas podem existir, o certo é que só podem ser falsas.

Juiz: - Sabe que todos estes membros do Governo presentes argumentam que o senhor conspira contra o Rei e contra a Pátria.

Gomes Freire de Andrade: - Sr. Juiz, não posso provar a minha inocência, mas sei que estou, e sabe bem Sr. Juiz que jurei não mentir neste tribunal.

O juiz chama as testemunhas de defesa dizendo:

D. Matilde: - (A chorar e de forma descontrolada e desanimada responde) o meu marido não merece morrer, olhem à volta, o povo ama-o, ele quer o bem de todos, ele só gosta de ajudar os pobres que não têm que comer.

Senhor António Falcão o que tem a dizer em defesa do réu?

António Sousa Falcão: - (Ao discursar apresenta ar de esperança, mas ao mesmo tempo desanimado) O General esteve do lado da nação, nunca lutou contra a Pátria, só não concorda com quem governa a pensar apenas na sua classe social, alguém que esquece que existem pessoas necessitadas, alguém que contribui para que o país fique cada vez mais desequilibrado, ou seja, os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Para terminar, como velho amigo do General, acho que não deveria ser julgado pois nunca fez mal a ninguém e apenas lutou por uma vida melhor para o povo que tanto ama.

Após reunir com os membros do governo e alguns minutos de reflexão o juiz lê a sentença com ar de desprezo:

Juiz: - Senhores embora o General tenha jurado dizer só a verdade perante este tribunal, tudo o que disse assim como as suas testemunha não conseguem provar a sua inocência, pelo que em consenso com os membros do Governo este homem vai ser condenado à morte perante a multidão de modo a que sirva de exemplo para todos os que pretendam desempenhar o mesmo papel.

Já na praça pública é queimado o General Gomes Freire de Andrade perante o olhar de consternação do povo que tanto amava e por quem lutou.