Sunday, June 05, 2005

“O Julgamento” - José Marques


(Chega o dia do julgamento em que se ia decidir o futuro do General Gomes Freire de Andrade e talvez o futuro do povo. Entram na sala de julgamento o General com o seu advogado de defesa, de seguida os advogados de acusação pagos pelo Rei e contratados por BERESFORD e a plateia. Uma plateia repleta de pessoas do povo onde se encontravam amigos, familiares, apoiantes, seguidores e pelo meio também os inimigos e traidores de Freire. Nisto entra o Juiz, um juiz imparcial e conhecido pela sua frieza e sentido de justiça que cada caso era um caso ganho para o bem, mas será que ia chegar? Sim, porque BERESFORD podia não ter conseguido subornar o Juiz mas desde o Porteiro do tribunal até às testemunhas que supostamente iam ajudar a defesa do Freire estavam comprometidos.)

Juiz: Levante-se o General Gomes Freire de Andrade arguido deste caso de conspiração contra o Rei. (levanta-se o General) Muito bem pode sentar-se. O Sr. sabe de que é acusado?

General: Sei sim Sr. Meritíssimo, estou aqui por lutar pelos interesses do povo que é martirizado….

J: Calma, eu só lhe perguntei se sabia o porquê de ser acusado, a sua defesa é mais à frente. Muito bem passemos à acusação, queiram os advogados de acusação iniciar a mesma!

Advogados de Acusação: Muito obrigado Meritíssimo, como é sabido por todos, este homem pode ser tudo menos inocente, quer contra o Rei quer contra o povo que ele diz defender…

G: (Levanta-se o General indignado) O quê, isto é….

J: Silêncio! Mais uma intervenção destas não autorizada e acabo já com esta secção.

G: Desculpe Meritíssimo.

AA: Como eu ia a dizer antes do réu me interromper indecentemente e bruscamente…

Advogados de Defesa: Desculpe Meritíssimo mas este senhor está a indiciar o réu e a provocá-lo quando nada foi provado, ainda.

J: Desculpas aceites, e senhores advogados de acusação tenham mais cuidado, pois o que disse ao réu também serve para vós!

AA: Desculpe Meritíssimo, seguindo o meu raciocínio anterior, como o réu alega, ele diz ser um “libertador do povo”, então como é possível a gente do povo a quem ele se alia acabar mortos mais tarde ou mais cedo? (Nisto cria-se um murmúrio enorme entre a multidão)

J: (Bate o Juiz com o seu martelo na mesa e exige silêncio) Silêncio! Silêncio! Será preciso esvaziar a sala? Prossiga…

AA: Acho que a própria voz do povo diz tudo, passo à defesa, se é que pode haver alguma…

J: Muito bem, tem a palavra a defesa.

AD: Muito obrigado senhor Meritíssimo, vou começar…

G: Desculpe senhor Meritíssimo e desculpe colega, (pois nesta altura o General já desconfiava que nem no seu advogado devia estar imune ao suborno do Beresford) eu gostaria de ser eu próprio a realizar a minha defesa pois se sou acusado, e seguindo o raciocínio do advogado de defesa, o meu advogado pode morrer, e isso é a única coisa que eu não quero que aconteça.

J: Muito bem, não vejo objecção nisso, pode prosseguir.

G: Muito obrigado Meritíssimo, como o Meritíssimo sabe eu sou aqui acusado de conspiração contra o Rei, ao qual não desejo mal nenhum, mas sim contra o seu absolutismo e…

AA: Não é preciso ouvir mais nada, já declarou que era culpado.

J: Silêncio! Mais uma intervenção dessas e é expulso da secção. O réu pode prosseguir com a defesa.

G: Obrigado, e apenas quero o melhor para o povo, pois viver sobre a escravidão de alguém, passar fome, não saber o porquê de existir, não ter liberdade de expressão, isso Meritíssimo, não é viver…

AA: Protesto Senhor Meritíssimo, isto é…

J: Protesto indeferido, o réu pode prosseguir.

G: Se me estão a acusar de querer o melhor para o povo, de lutar pela igualdade, pela liberdade, por um mundo melhor, aí Senhor Meritíssimo eu sou culpado.

(Nisto levanta-se um enorme murmúrio entre a plateia e advogados, que nem o Juiz conseguiu calar com o seu martelo, mas depois de tanto insistir o barulho lá começou a diminuir e finalmente o juiz conseguiu falar)

J: Silêncio, acabou, não há condições para continuar com esta secção, fica adiada para daqui a 2 dias, com as portas fechadas. O réu pode permanecer em liberdade condicional, pois não vejo nada que justifique a sua prisão, por enquanto. (Batendo com o Martelo na mesa) Declaro esta primeira parte da secção encerrada.

(Mal sabia o juiz que tinha assinado a sua morte com as ultimas palavras proferidas. No dia seguinte foi encontrada o juiz morto na sua cama e o General foi enforcado mesmo com a onda de revolta que se levantou.)

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